quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008


História do São Paulo

A história do São Paulo Futebol Clube começa muito antes da sua fundação oficial, que aconteceu em 1935. A semente da agremiação começou a ser plantada no início do século 20, quando foi fundado o Clube Atlético Paulistano, que, nos primeiros anos do futebol brasileiro, dominou o cenário do estado.
Quando se retirou do esporte, em 1929, o time somava nada menos do que 11 títulos paulistas, e um tetracampeonato em 1916, 1917, 1918 e 1919, feito inédito até os dias atuais. A agremiação deixou o futebol por manter-se fiel ao amadorismo, na época em que todos os rivais optaram pela profissionalização. O Paulistano resolveu, então, fechar as portas da modalidade no fim dos anos 1920.
Alguns dirigentes, no entanto, resolveram aderir às novas regras, e partiram para a fundação de uma nova agremiação, logo no ano seguinte. Para isso, uniram-se com outros “herdeiros” da Associação Atlética das Palmeiras, que também havia encerrado suas atividades no futebol. No acordo, o Paulistano entrava com a cor vermelha e craques como Araken Patusca, Friedenreich e Waldemar de Brito, enquanto a A.A.P. cederia o preto e o branco da camisa e a Chácara da Floresta, estádio que seria usado pelo novo time, o São Paulo Futebol Clube.
A equipe, que ficou conhecida como São Paulo da Floresta, teve sucesso rápido nos gramados, conquistando o primeiro Paulista de sua história em 1931. O afobamento dos cartolas, no entanto, fez com que a equipe passasse por dificuldades financeiras, e encerrasse suas atividades em 1935 após uma fusão sem sucesso com o Clube de Regatas Tietê.
Mais uma vez, os dirigentes buscaram uma nova solução para os torcedores, e recriaram o São Paulo Futebol Clube. Ligado à forças antigas como Paulistano e Palmeiras, o time conseguiu entrar logo de cara na disputa do Campeonato Estadual, mas sem sucesso. Nos primeiros cinco anos, o único resultado expressivo foi um vice em 1938, perdendo a final para o Corinthians.
Crescimento mesmo aconteceu apenas nos anos 1940, quando o São Paulo trouxe seu primeiro grande reforço na história. Por uma fortuna na época (200 contos de réis), Leônidas da Silva, estrela do futebol carioca da década anterior, chegou do Flamengo em 1942. Bauer, Luizinho, Sastre, Rui e Teixeirinha também abrilhantaram a equipe, que ficou conhecida como “Rolo Compressor”.
O time venceu o primeiro título logo em 1943, derrotando o Palmeiras na decisão. Aquele, aliás, foi o “campeonato da moeda”. A história é que, antes da disputa, os dirigentes se reuniram na Federação Paulista de Futebol e, brincando, disseram que decidiriam o vencedor jogando uma moeda para o alto.
Caso desse cara, seria o Palmeiras, ou Corinthians, se fosse coroa. Pela conversa, a taça só iria para o São Paulo se a moeda caísse em pé. Após o fim da disputa, na comemoração do título tricolor, um carro alegórico com uma grande moeda em pé desfilou pelas ruas.
Aquele não seria o único título da geração. Em 1945, 1946, 1948 e 1949, o time voltou a subir no lugar mais alto do pódio, com novos nomes como Ponce de León e Mauro Ramos. Fora dos gramados, a agremiação sofria com graves crises financeiras, apesar do sucesso nas quatro linhas.
A solução encontrada pelos dirigentes são-paulinos foi a construção de um novo estádio. O time, que à época atuava em um campo no Canindé, buscou seu próprio espaço no recém-inaugurado bairro do Morumbi, e passaria a dedicar a maior parte de suas finanças ao empreendimento.
Isso, a princípio, não prejudicou o time, que continuava a contar com grandes craques. Na década de 50, por exemplo, o Tricolor trouxe do Rio de Janeiro o meia Zizinho, para somar forças com Poy, Gino e Canhoteiro. Juntos, conquistaram o Paulista de 1957, com vitória por 3 a 1 sobre o arqui-rival Corinthians.